A questão dos insumos e matérias-primas na indústria do plástico

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Neste último mês de setembro, o setor da indústria do plástico teve bastante destaque no noticiário por causa das questões de falta de insumos e do aumento dos custos de matérias-primas. É essencial abordar o tema, para que se possa ter um quadro mais claro de causas e consequências e também para se fazer uma análise de cenário e das perspectivas.

Antes, porém, é importante situar o tamanho e a relevância do setor no Brasil. A indústria de transformação e reciclagem de plásticos é composta por mais de 12 mil empresas, que atendem quase 100% de toda a matriz industrial do país – de construção civil a alimentos e bebidas, passando por setor automotivo, higiene, limpeza e perfumaria, agricultura, entre outras.

As principais matérias-primas plásticas fabricadas têm produção local, mas cerca de 25% da demanda doméstica de insumos é importada, por uma questão de mercado e busca por diversificação de fornecedores e melhores oportunidades. O polietileno (PE), por exemplo. Do total importado pelo Brasil em 2020, 55% chegam dos Estados Unidos, e outros 25% vêm da Argentina.

Hoje, existe um considerável desequilíbrio de oferta de matérias-primas plásticas no mundo, por causa da pandemia. Assim, os preços dos insumos têm oscilado de forma muito abrupta. Por consequência, muitas empresas transformadoras não estão conseguindo ter matérias-primas suficientes para atender toda a demanda.

Atualmente, há dificuldade para encontrar matérias-primas de PE, PP e PVC no mercado doméstico e internacional. Além disso, o cenário global é de oferta mais restrita de resinas, o que impacta diretamente nos preços desses materiais. China e Estados Unidos contribuem bastante com a produção de insumos para a cadeia do plástico – o país norte-americano é grande produtor e exportador líquido de polietilenos.

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José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

O descolamento nas cadeias produtivas fez com que muitas companhias deixassem de fornecer dentro de um ritmo normal. Quando, aos poucos, as atividades retomaram, também houve problemas de ordem logística de destinação de material. É preciso observar os efeitos do fim do auxílio emergencial, que pode gerar queda na demanda, em especial na construção civil, um dos grandes consumidores de produtos de PVC.

No Brasil, o mercado fornecedor de matérias-primas é altamente concentrado. Em casos do PE e do PP, somente uma empresa realiza o fornecimento doméstico. Somado a isso, temos uma das alíquotas de importação mais altas do mundo, além de medidas antidumping. Assim, torna-se muito difícil buscar alternativas de acesso aos insumos, resultando na falta de abastecimento.

Nesse cenário, mostra-se acertada a decisão do governo de encerrar o direito antidumping contra Coreia do Sul, e suspender o da China. Recentemente, os processos de revisão dos direitos antidumping contra importações de PVC-S da China e Coréia do Sul tiveram suas definições publicadas, com vereditos favoráveis ao setor da indústria de transformadores.

Os direitos antidumping contra importações de PVC-S da Coreia foram encerrados. Agora, as importações não serão mais sobretaxadas – os valores variavam entre em 2,7% a 18,9%. Já os direitos antidumping contra importações de PVC-S da China (de 21,6%) foram prorrogados por período de 5 anos. No entanto, estão suspensos e podem ser reavaliados em alguns meses.

Ainda que o encerramento do caso da China seja a decisão mais apropriada – e que a sobretaxa até então suspensa possa voltar a ser aplicada –, foi um parecer muito positivo para o setor de transformados plásticos, que há tempos convive com constantes renovações de direito antidumping sobre suas matérias-primas.

Aproveito o espaço aqui na Plástico Moderno para ressaltar o trabalho da Abiplast e equipe neste tema, cumprindo seu papel para este sucesso. O objetivo sempre foi trazer todos os argumentos pertinentes para a suspensão das medidas, para a promoção de amplo acesso do setor às matérias-primas para o setor, de forma a promover a competitividade.

Evidente que ainda há muito a ser feito com relação ao assunto. Apesar dos progressos, é importante ir adiante e, de fato, adequar a alíquota de importação a um patamar que seja similar à média global.

Estabelecer taxas de importação para patamares similares às dos países da OCDE deve ser a meta. A ação dinamizaria o ambiente de acesso às matérias-primas, bem como minimizaria possíveis quadros de desabastecimento como o que enfrentamos nos últimos meses. Para ser ter uma ideia, enquanto na OCDE a tarifa efetiva média de importação é de 2,5%, no Brasil o índice é de 8,6%. Além disso, a alíquota nominal de importação de matérias-primas plásticas aqui é de 14% contra 6,5% na OCDE. Fundamental que o diálogo siga aberto, para que possamos avançar ainda mais nas questões de abertura comercial. Pelo bem do país.

José Ricardo Roriz Coelho é presidente da ABIPLAST – Associação Brasileira da Indústria do Plástico e do SINDIPLAST – Sindicato Indústria Material Plástico Estado São Paulo, e vice-presidente da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

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Abiplast

O setor nacional de transformados plásticos e reciclagem encontra representação e apoio, há mais de cinco décadas, na Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), desde que o segmento começou a se desenvolver no País. O trabalho iniciado em 1967 responde atualmente a um total de 12 mil empresas e 325 mil profissionais.
Para manter forte essa representação, a entidade conta com o trabalho conjunto e colaborativo de 23 sindicatos estaduais, que fortalecem o setor regionalmente, e associações parceiras, que contribuem para reiterar a importância da nossa indústria.
A entidade, mais que defender os interesses e prestar assistência à categoria por meio de diversos serviços e iniciativas, tem o papel de valorizar o plástico, promover o setor e sua competitividade, bem como os avanços tecnológicos com foco na sustentabilidade. Para o Brasil, o progresso dessa atividade industrial causa um efeito multiplicador e mostra-se importante por trazer inúmeros benefícios econômicos e socioambientais.
Mais informações: http://www.abiplast.org.br/

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